quinta-feira, 25 de março de 2010

Sessão de Quinta

Não, o filme que vou indicar não é de quinta categoria. O nome veio junto com a idéia de que as minhas colunas filmáticas viram às quintas-feiras à cada quinzena. Assim, meu amado terá o tempo dele de escrever também. (será um esforço e um compromisso, como o de Julie (de Julie e Julia, assistam!)


Minha primeira indicação de filme será um que chegou à minha realidade também por indicação de alguém. Uma amiga que havia lido meu texto sobre o dia da mulher, disse que eu gostaria do filme. E ela acertou.




Ficha técnica resumida:


Título original: Ágora(2009).
Realização:
Alejandro Amenábar
Argumento:
Alejandro Amenábar e Mateo Gil

Elenco: Rachel Weisz, Max Minghella, Oscar Isaac


Primeiramente, acho interessante sabermos o que significa e representa o título do filme. Quem vê pela capa ou pôster, acha que o nome da Rachel será Ágora. (tá, tá, confesso! Eu também achei.)

Ágora era o centro da dita “democracia grega” na antiguidade. Era uma praça que assistia a desfechos políticos, sociais, econômicos, era onde as decisões eram tomadas pelos cidadãos da polis. Era composta por prédios públicos e pequenas feiras e mercados, permitindo assim que a circulação “livre” e plena dos moradores

A história se passa em Alexandria, onde existe a maior Biblioteca do mundo, no Egito antigo em 391 d.c e circula sobre dois eixos principais: a filósofa ateia Hypatia (é, a Rachel) que traz um triangulo amoroso as mudanças e conquistas religiosas. A religião pagã coexistia com o judaísmo (escravos) e temos o cristianismo se expandindo e chegando aos quatro cantos (que não é em Olinda!). Alexandria é submissa ao Império Romano.

Neste contexto, surge Hypatia, filha de um poderoso representante do “governo”, que ao contrário do natural de seu gênero, se dedica à ciência e busca uma explicação para a rotação da terra, já que haviam descoberto que a terra gira em torno do sol e não o contrário. Angustiada com perguntas sem resposta sobre “porque ficamos parados se a terra gira” e “o que nos faz ficar de pé”, Hypatia não mede esforços ou escolhas para seguir aquilo que acredita que trará a diferença para a humanidade e a emancipação do homem: o conhecimento. Aqui sou obrigada a relatar a melhor cena do filme e assim introduzo o “triângulo amoroso”: Um de seus melhores alunos, Orestes é declaradamente apaixonado por sua tutora, já que Hypatia ensina filosofia. É concorrente de Davus, seu escravo, que secretamente também deseja a sua senhora. Orestes, em um teatro público, pára os festejos e se declara a Hypatia, pedindo que ela aceite como prova de amor, seu instrumento – o que viria a ser uma flauta, que ele aprendeu por conselhos dela mesma “Não me ame. Ame a música”! Hypatia aceita o presente, constrangida.

Seu escravo, Davus, naquele dia tem seu primeiro contato com o cristianismo. Através de um líder religioso, que lhe mostra o que é um milagre e o leva a um abrigo onde eles alimentam mendigos. Davus pede que ele o ensine a orar. E naquela noite, Davus ora. Pedindo ao deus que “Ela não seja de nenhum outro!”.

Na aula seguinte ao acontecimento constrangedor, Hypatia começa a aula relatando que gostaria de retribuir o presente de Orestes. E lhe entrega um pano branco enrolado. Orestes abre e vê... sangue. É, isso mesmo! “Sangue do meu ciclo”, diz Hypatia, e prossegue, dizendo: “Você diz que encontrou em mim harmonia. Procure outra coisa, pois não consigo ver harmonia nisto!”. Davus exulta e recolhe do chão o lenço que Orestes jogou no chão.

A aula é interrompida para uma reunião de emergência, em que os senhores avisam aos pagãos que os cristãos passaram dos limites e estavam reunidos em Ágora, esnobando suas estátuas. Uma das coisas interessantes é que os cristãos são caracterizados e diferenciados pelas suas vestes: todos vestem preto. OS pagãos, injuriados com sua intolerância armam para atacar os cristãos, cercando-os e matando todos a pauladas. Alguns se manifestam contra, como Hypatia, que ensina a cristãos também, salientando que não deixará de proteger seus alunos. Orestes, movido de raiva pela amada, lidera o levante. Qual não é a surpresa para os pagãos, quando os cristão surgem como formigueiro, fazendo com que estes recuem.

A batalha em nome de Deus, de ambos os lados, não começou nem terminará nessa batalha. Os cristãos conseguem através do Imperador, livre acesso a lugares que outrora eram proibidos, com a Biblioteca, ultimo refugio de vários pagãos, que tentaram salvar 1% de todo conhecimento produzido durante séculos. Como marca de bons cristãos, a primeira coisa que fazem: queimam tudo. (óh ceus! quantas coisas perdemos..)

A ordem é que as religiões se tolerem. A partir da abertura de livre escolha, o judaismo cresce e a disputa pelo poder se concentra nos representantes religiosos, em conjunto com o prefeito - Orestes. Anos se passam e Orestes e Hypatia continuam amigos. E mais do que amigos... ela é sua conselheira. Davus, a essa altura, fez sua escolha ao se tornar um dos cavaleiros da ordem dos cristãos, deixando assim Hypatia, que agora dedicava-se exclusivamente aos seus estudos científicos. Porém, antes de seguir sua vocação religiosa, Davus procura Hypatia, beija-a, pede que ela o mate. E ela o liberta.

Porém, a disputa pela centralidade das decisões e o poder de castrar e subjugar os outros povos cega os lideres religiosos. Um ataque surpresa dos judeus contra os pagãos, que armam uma emboscada e os matam a pedradas, dá inicio a uma guerra. E o prefeito tem que decidir de que lado estará. Um cristão convertido, porém com interesses politicos e medo dos pagãos, Orestes se aconselha com Hypatia, que nunca se calá perante as assembléias e deixa claro seu lado ateu. O que traz serios problemas ao prefeito. Unido a um antigo amigo agora sacerdote, ambos buscam Hypatia nas decisões, o que muito desagrada os religiosos, que em uma reunião aberta, julgam Hypatia como cobra e feiticeira, que rasteja pelos lugares publicos e fala, contrariando o que diz a escritura, além de servir de "guia" para um homem. O lider dos cristãos, Ammonius, lê a passagem biblica que condena às mulheres a reclusão de seus lares e pergunta ao prefeito, em meio a multidão, se ele é realmente cristão ou se converteu pelo cargo politico. ORestes afirma ser cristão e praticar sua religião. Ammonius então, leva até o prefeito a Bíblia e faz com que ele jure, de joelhos, perante a palavra de Deus que aceita e respeita tudo que diz na Biblia. Orestes se recusa e quando questionado por seu amigo, diz: "O que eu poderia fazer? Condenar Hypatia?".

Os dois armam planos para a derrubada de Ammonius, que muito se fortalece perante o povo e exige que o prefeito se livre, definitivamente, das influências malignas de Hypatia. Orestes pede que Hypatia se converta a religião cristã, para que ele possa protegê-la. E ela garante a ele que se não puder ser livre para lutar e defender a unica coisa que acredita - a ciência - não tem sentido existir. Orestes sente. Hypatia se retira do palácio, dispensando os guardas que eram responsáveis pela sua proteção.

Quem não deseja saber o desenrolar da trama, parem aqui! :) O que segue são detalhes do desenrolar final. Quem quer saber, selecione essa parte em branco.


Paralelamente, Davus recebe a ordem e a chamada para sequestrarem Hypatia, pois sendo ela a parte mais fragil do prefeito, seria mais fácil atingi-lo. Davus corre. Busca por Hypatia e no meio do caminho, econtra com os cavaleiros trazendo-a amarrada e espancada. Os cristão decidem matá-la de forma cruel. Tirando sua pele, para que sofra. Davus, encarna um personagem, e diz que eles não devem sujar as mãos. Os cristãos decidem então, apedrejá-la. Equanto vão buscar as pedras, Davus abraça Hypatia. E ela consente com os olhos, tranquilizando-se. Davus prende o folego de Hypatia, fazendo-a desmaiar ou até mesmo morrer, para que ela não sinta a dor das pedras. É uma cena INCRIVELMENTE forte e linda. É, sim! Lindissima.

Sigam até o final da página.

O filme é enquadrado no estilo épico. O filme, apesar de tentar abranger muitas questões - astronomia, religião, gênero, cidadania -, contempla requisitos basicos de beleza, como a fotografia impressionante, inclusive as que mostram a terra de longe. Além do figurino e o detalhe de ter sido gravado no próprio Egito. Sem falar nos atores, que por mim, atingiram as expectativas. Sem esquecer o detalhe principal: trazer a tona a discussão acerca de uma mulher, que entre tantas injustiças, preconceitos e machismo, mudou o modo de pensar de uma nação e levou sua escolha pela ciência e pelo conhecimento até as ultimas consequencias.

Encontrei uma professora amiga que vai realizar um evento sobre a intolerância religiosa, segundo ela, a causa primordial de todas as desavenças existentes. Quando mencionei o filme, ela disse que havia pensado justamente isso, já que o filme é fiel no relato das 3 maiores religiões, sem escolher um lado. Mostrando o lado sanguinário e sanguessuga de todas as instituições que julgam e condenam em nome do mesmo DEUS.


Indico!

Nota: 08.


por Débora Accioly Dionisio

Um comentário:

  1. ufa!, acabei!! kkkkkkkkkkkk

    belo relato amor, mas acho q tu ficou muito presa ao "conta a história" e acabou ficando "sem fôlego" quando foi palpita né?

    independente, fiquei curioso, quero ver esse filme ágora mesmo!! kkkkkkkkk

    amo!!

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